Addis Abeba (Dos enviados especiais) - A comissária da União Africana (UA) para a Agricultura, Desenvolvimento Rural e Economia Azul, Josefa Sacko, disse, esta quarta-feira, em Addis Abeba (Etiópia), que, embora a agricultura seja um sector importante, a maioria dos agricultores do continente pratica um cultivo de sequeiro, altamente vulnerável às alterações climáticas.
Falando na Conferência Internacional sobre Irrigação e Produção Resiliente às alterações climáticas, a diplomata angolana referiu que apenas 6% das terras aráveis em África são irrigadas, o que é extremamente baixo em comparação com outros continentes como a Ásia, que tem 37% das suas terras irrigadas
Lembrou que a agenda do Programa Integrado para o Desenvolvimento da Agricultura em África (CAADP), aprovada em 2023, em Maputo, e adoptado no mês passado em Kampala, Uganda, enfatiza a importância da irrigação para aumentar a produtividade e a intensificação da agricultura em África.
Disse, a este respeito, que a União Africana desenvolveu, em 2020, o Quadro Continental para o Desenvolvimento da Irrigação e Práticas de Gestão da Água Agrícola, para fornecer as tipologias, políticas e vias de desenvolvimento institucional para opções de irrigação sustentável no continente.
Segundo Josefa Sacko, até à data, três Comunidades Económicas Regionais( CER), designadamente, Mercado Comum para a África Oriental e Austral (COMESA), Comunidade da África Oriental (EAC) e Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD), receberam ajudas para desenvolver os seus próprios quadros com base neste instrumento.
No seu entender, para se ultrapassar este défice é preciso adoptar a internalização das prescrições de desenvolvimento da irrigação continental e regional nos planos nacionais de investimento agrícola, alinhar as políticas para facilitar o acesso dos pequenos agricultores às tecnologias de irrigação, à terra e aos direitos de água.
Sublinhou que se deve assegurar também um forte sistema institucional, de infra-estruturas e de apoio ao mercado, desenvolvimento da capacidade humana na concepção e operação de sistemas de irrigação modernos que sejam eficientes em termos de custos, energia e água, bem como encorajar a partilha de experiências entre os actores nacionais da irrigação, especialmente em pequenos projectos acessíveis e ecológicos.SR/FMA/ART