Lubango – O Tribunal da Região Militar Sul iniciou hoje, terça-feira, no Lubango, província da Huíla, o julgamento de uma capitã e um 1º sargento das Forças Armadas Angolanas suspeitos de crime de recebimento indevido de valores, com promessas de inserção de estranhos nas fileiras castrenses.
Trata-se de uma enfermeira de 50 anos de idade, chefe do bloco operatório do Hospital Militar e um homem de 36, responsável pelo expediente de selecção e classificação de recrutas da Região Militar Sul (RMS), acusados pela procuradoria castrense de extorquir 200 mil kwanzas a um cidadão nacional, com a promessa de incorporá-lo na Marinha de Guerra, na cidade do Lobito.
Ao fazer a leitura da acusação, o juiz da causa, major Stuart Adão, sublinhou que em Novembro de 2024 a PGR recebeu uma denúncia de um civil, segundo a qual esses militares facilitaram a inserção de um civil nas Forças Armadas Angolanas (FAA) e que já estava a frequentar o curso de marinheiro no Lobito.
Segundo o magistrado judicial, a enfermeira com a patente de capitã forjou um laudo médico psicotécnico, para aprovar a candidatura do corruptor com vista ao ingresso nas FAA, ao passo que o 1º sargento é acusado de ter conduzido a selecção para que o mesmo pudesse frequentar a formação inicial em Benguela.
“Do valor solicitado receberam 50 por cento (100 mil kwanzas), sendo que o remanescente seria entregue após terminar o curso e ver garantida a sua colocação na corporação”, salientou o magistrado judicial.
O juiz disse que os mesmos agiram de forma deliberada e livre, mesmo sabendo que a acção praticada é punível na lei dos crimes militares.
Informou que feita a descrição da matéria do crime, com este tipo de comportamento, os arguidos incorrem na prática de um delito de abuso do exercício de cargo, previsto e punido nos termos dos crimes militares.
A leitura da sentença está prevista para a próxima sexta-feira.
Este é o segundo caso de julgamento de militares, em um mês, pelos mesmos motivos, sendo que em Janeiro outros dois foram condenados a dois anos de prisão por corrupção. JT/MS