Luanda – Angola, ao assumir a Presidência rotativa da União Africana (UA), marca um movimento significativo na história do seu povo e do continente, disse hoje, quarta-feira, em Luanda, a encarregada de Negócios da Embaixada da Zâmbia no país, Roster Mubita Namakau.
Em entrevista à ANGOP, a propósito da assumpção de João Lourenço da presidência da UA, Roster Mubita Namakau apontou, entre outros aspectos, a paz, a segurança e o desenvolvimento sustentável do continente como os principais eixos da liderança do novo chefe do órgão continental.
“Acredito que a presidência de Angola na UA deverá focar-se, veemente, dentre outros aspectos, na paz, nasegurança, no combate à fome e no desenvolvimento sustentável do continente”, admitiu a diplomata.
João Lourenço participou, de 15 a 16 destemês, na 38.ª Cimeira da União Africana (UA), em Adis Abeba, Etiópia, que oconfirmou como presidente em exercício da organização continental até Fevereirode 2026.
No seu discurso de aceitação dapresidência, João Lourenço disse que pretende lançar um vasto plano de atracçãode investimentos e de captação de recursos financeiros significativos junto dosgrandes parceiros internacionais, para a concretização dos projectos ligados à construção de infra-estruturas no continente.
Roster Namakau sublinhou, por outro lado, que o facto de Angola ter experiência na mediação de conflitos no continente,na qualidade de Presidente da Conferência Internacional sobre a Região dosGrandes Lagos (CIRGL), e Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação, dá-lhe prioridade na resolução de questões de segurança na RDC, no Rwanda, no Uganda e na República Centro-Africana (RCA).
Afirmou ainda que o seu país espera que Angola desempenhe um papel fundamental na resolução de conflitos e na integração económica, particularmente através de iniciativas como a Zona deComércio Livre Continental Africana (ZCLCA) e de projectos de desenvolvimentoregional como o Corredor do Lobito, que visam impulsionar o comércio e aconectividade em África.
“O Presidente João Lourenço é reconhecidopelos papéis de liderança que continua a desempenhar na comunidade internacional”, afirmou, salientando que, agora, como Presidente da UA, poderá alargar o seu papel aos conflitos no Sahel e no Corno de África, promovendo soluções diplomáticas e pacíficas em relação às intervenções militares.
Acrescentou que apesar de se ter grandes expectativas quanto à presidência de Angola na UA, não se deve ignorar os obstáculos que a diplomacia angolana poderá enfrentar, sobretudo relacionados com a resistência interna das partes em conflito, as rivalidades regionais e as influências externas.
A responsável espera também que a presidência angolana seja uma oportunidade para União Africana e as Nações Unidas reverem o consenso de Ezulwini, que propõe pelo menos dois assentos permanentes para a África no Conselho de Segurança da ONU.
Roster Namakau almeja, por outro lado, uma Presidência da UA empenhada em garantir maior equilíbrio nas relações de África com as potências globais como a China, a União Europeia e os Estados Unidos da América.
“Espera-se que a presidência de Angola dê prioridadeàs parcerias económicas, ao investimento em infra-estruturas e à transferênciade tecnologia, assegurando, ao mesmo tempo, que os interesses de África sejam protegidos nas negociações globais”, enfatizou.
A propósito, Roster Namakau aproveitou aocasião para felicitar Angola e os angolanos pelo marco que culminou com a indicação de João Lourenço ao topo da Organização africana.
Na opinião da encarregada de negócios, para fortalecer a sua posição a nível mundial, África deve reforçar a integração regional, aumentar o comércio intra-africano e defender uma maior representação nas instituições globais.
O embaixador da Zâmbia, Lawrence Chalungumana, apresentou os cumprimentos de despedida ao chefe da diplomacia angolana, Téte António, depois de sete anos à frente da representação do seu país em Angola.
Angola e Zâmbia partilham uma fronteiracomum de 1,110 quilómetros e possuem relações de cooperação bastante regulares, dentro do quadro estabelecido pelo Acordo Geral de Cooperação Económica, Científica, Técnica e Cultural, assinado em 1979.
Os dois países (Zâmbia e Angola) são membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da UniãoAfricana (UA). CF/JM