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Angola mais próxima da Francofonia

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  • Luanda • Terça, 14 Janeiro de 2025 | 18h28
Torre Eiffel em França
Torre Eiffel em França
Pedro Parente-ANGOP

Paris (Dos enviados especiais) – Angola e França passaram a evidenciar-se, nos últimos tempos, por uma vontade expressa de uma maior aproximação entre si, com a efectivação de vários acordos de cooperação já existentes e a celebração de outros novos.

Trata-se de um conjunto de iniciativas que em muitos casos respondem directamente ao duplo repto assumido desde muito cedo pelo Presidente João Lourenço,  para cultivar a diplomacia económica e potenciar a diversificação da economia angolana.

No cômputo geral, as relações entre Angola e França registaram um crescimento assinalável, nos últimos anos, fruto da determinação de ambos para imprimir uma nova dinâmica no seu relacionamento, depois de conhecer momentos de letargia durante o tempo do conflito armado em Angola.

Essa determinação tornou-se mais evidente ainda com a visita a Angola do Presidente francês, Emmanuel Macron, em Março de 2023, na companhia de empresários de diversos sectores da economia francesa, em busca de parcerias.

A viagem de Emmanuel Macron permitiu assinar quatro instrumentos jurídicos, tais como o Acordo de Financiamento entre Angola e a Agência Francesa para o Desenvolvimento (AFD), o Acordo de Facilitação de Crédito, o Contrato para Concepção, Fabrico e Fornecimento de um Sistema de Satélite de Observação da Terra e sua Adenda.

Antes disso, o Presidente João Lourenço, que prepara agora uma nova deslocação a França a convite de Macron, escolheu Paris como seu primeiro destino europeu, após a sua investidura para o primeiro mandato à frente dos destinos de Angola, em Setembro de 2017, no rescaldo das eleições gerais realizadas no mesmo ano. 

A viagem viria a acontecer em Maio de 2018, quando o Chefe de Estado angolano reafirmou, no Palácio do Eliseu, em Paris, a vontade de Angola de estreitar cada vez mais as relações com a França.

Na mira dos governos dos dois países estão igualmente outras metas estratégicas, em que se pode destacar a integração plena de Angola no seio da francofonia, a começar pela reintrodução, já a partir do presente ano lectivo, do francês no sistema de ensino, inicialmente para a quinta classe

“Pretendemos que as nossas crianças possam aprender uma língua estrangeira, devido à vasta fronteira francófona, e com o apoio do Governo francês”, justificou a ministra angolana da Educação, Luísa Grilo, no anúncio da abertura do ano lectivo.

Esta decisão não foi tomada por mero acaso, pois, a Assembleia Nacional (AN) abraçou a agenda da Associação dos Parlamentos da Francofonia (APF), da qual é membro de pleno direito desde Julho de 2024, antes mesmo da admissão do país como membro observador da Organização Internacional da Francofonia (OIF), em Outubro do mesmo ano.

A admissão da AN na Assembleia Parlamentar da Francofonia ocorreu em Montreal (Canadá), durante a 49ª assembleia da organização, ao passo que o país integrou a OIF com o estatuto de observador na última Cimeira da Francofonia, realizada de 4 a 5 de Outubro de 2024, em Villers-Cotterêts (França).

Aquando admissão da AN na Assembleia Parlamentar da Francofoniaa, a presidente do parlamento angolano, Carolina Cerqueira, considerou que a adesão permitirá uma partilha de posições comuns a favor da paz, da cooperação mutuamente vantajosa e da aproximação entre os povos falantes da língua francesa.

Angola tem pontos comuns com os países da francofonia no quadro de políticas de desenvolvimento sustentável, mudanças climáticas, integração social e desenvolvimento dos países da região, segundo a dirigente.

As autoridades francesas já manifestaram publicamente, ao mais alto nível, o seu apoio e encorajamento à entrada de Angola na OIF como membro de pleno direito, num gesto de clara inconformação com o estatuto de membro observador que o país ostenta actualmente na organização.

Por seu turno, João Lourenço reconhece o “importante papel” que a OIF joga no mundo, muito em particular no continente africano, onde “Angola está cercada, não por países lusófonos mas por países francófonos e anglófonos”.

Breve historial

Em Fevereiro próximo, os dois países completam 49 anos de relações diplomáticas, estando a França entre os primeiros países europeus a reconhecer a Independência de Angola,  pouco depois da sua proclamação, a 11 de Novembro de 1975.

Os dois países estabeleceram relações diplomáticas em 17 de Fevereiro de 1976, antes de assinarem o seu Acordo Geral de Cooperação, em 1992, que abriu as portas para a celebração de parcerias em diversos sectores como economia, ciências, cultura e assistência técnica.

Na sua fase inicial, a cooperação bilateral manteve-se focada na formação de quadros angolanos e no sector da aviação civil, para acompanhar a consolidação do que é agora a Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC).

As autoridades francesas reconhecem que a guerra civil angolana, de 1975 a 2002, impactou seriamente, de forma negativa, no nível da cooperação, mas que o fim deste conflito armado permitiu relançar gradualmente a dinâmica das relações bilaterais.

Presença francesa em Angola

Há dois anos, o Governo francês lançou um programa de apoio ao Ministério angolano da Educação no seu plano de desenvolver o ensino da língua francesa, bem como no reforço da formação de professores e dos formadores que vão assegurar a implementação deste projecto.

No sector da ciência, França está a trabalhar, a pedido de Angola, na digitalização em 3D do seu património arqueológico, para além de manter uma cooperação em tecnologia com a Universidade Agostinho Neto (UAN).

A Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) está ainda presente no domínio da irrigação, da renovação dos institutos técnicos agrários e da revisão do currículo para melhor articulação da riqueza de uma região com a formação das pessoas, segundo a embaixadora francesa, Sophie Aubert.

No ramo comercial, existem em Angola 57 filiais de empresas como a Air France, a Total Energie e outras, para além de 54  firmas criadas por cidadãos franceses que trabalham no país, perfazendo mais de 100, precisou a diplomata numa recente entrevista à ANGOP.

Actualmente, prosseguiu, a Castel é a maior empresa francesa do sector privado a operar em Angola, e estima-se em perto de 15 mil o total de empregos criados pelas diversas empresas.

No ano passado, França foi o primeiro exportador de cereal (trigo) para Angola, que tem estado entre os primeiros quatro principais parceiros comerciais na África Subsahariana, nos últimos três anos, com um volume de investimentos actuais de cerca 40 mil milhões de euros.IZ/SR





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