Ombadja – O rei de Ombala ya Nalueque, na província do Cunene, Mário Satipamba, defendeu mais investimentos em infra-estruturas para o funcionamento das ombalas, visando a salvaguarda dos traços tradicionais dos povos.
Ombala ya Nalueque, localizado no município de Ombadja, a 158 quilómetros a sudoeste da cidade de Ondjiva, capital do Cunene, é um dos três reinos da província. Os outros dois são Ombala yo Mungo e Oukwanhama.
Ao falar à ANGOP, a propósito do funcionamento da ombala, o soberano sugeriu ao Governo a incluir no próximo orçamento da província, projectos sociais, de apoio ao reinado e as próprias comunidades.
Disse que já existe uma experiência piloto no reino do Bailundo, no Huambo, que começou a 10 anos, com a construção das instalações onde funciona o rei, residências para os sobas e outras, neste caso faz todo sentido que se pudesse continuar nas restantes ombalas.
“Os reinados são parceiros importantes do Estado, dentro das comunidades, daí que devem ter mínimas condições, desde um escritório bem organizado no sentido de se produzir algumas informações de interacção com as autoridades governamentais”, afirmou.
Informou que socialmente as coisas tardam em acontecer naquele espaço histórico, palco de uma das maiores batalhas de resistência à ocupação colonial, em Setembro de 1904, a chamada batalha do Vau do Pembe.
Mário Shatipamba fez saber que, a região foi apenas contemplada, desde 1975, com algumas escolas do primeiro nível, faltando as do II ciclo, visto que mesmo as da 7ª e 9ª classe só existem na povoação do Omotolo, Chetekela e Dombodola, entre 20 e 25 quilómetros de distância.
Por seu turno, o chefe de departamento da Acção Cultural no Cunene, Adérito Armando, disse que a sugestão veio despertar o gabinete que irá propor ao governo provincial para que estas condições sejam criadas a nível das ombalas. a.
Historial do Reino de Ombala ya Nalueque
O reino começou a ser povoado a partir do século XV, provavelmente quando surgiram povos provenientes dos grandes lagos, com a finalidade de procurar melhores condições de vida.
Entre os traços característicos da sua trajectória salta à vista a guerra de resistência colonial, que durou 16 anos.
Neste particular, destaca a batalha registada em 1891, na localidade de Omdube yo Fenge, onde o invasor colonial saiu derrotado.
Segue-se, a 25 de Setembro de 1904, a memorável batalha do Vau do Pembe, considerada a maior derrota da ocupação colonial portuguesa em África.
O confronto opôs um destacamento de forças do exército português, comandado pelo capitão Luís Pinto de Almeida e guerreiros Cuamato, sob as ordens do Rei Oshietekela e resultou na derrota das forças portuguesas, que perderam cerca de 250 homens, mais de metade do efectivo presente.
Esta batalha faz parte das poucas vitórias africanas contra uma potência europeia durante as guerras de ocupação colonial, tendo apenas paralelo na Batalha de Isandhlwana, ganha pelo Zulus contra os britânicos em 1879, ou na batalha de Adoua ganha pelos etíopes contra os italianos em 1896.
Mário Satipamba é o vigésimo rei de Ombala ya Nalueque, entronizado em 2009. PEM/LHE/ART